
Radônio em subsolos de edifícios, impactos na saúde humana e métodos de mitigação
12 de março de 20261. Introdução
Em edificações com subsolos sujeitos à subpressão, o desempenho dos sistemas de impermeabilização tem influência direta na Vida Útil de Projeto (VUP) da estrutura. Entre as tecnologias disponíveis, destacam-se as mantas de Polietileno de Alta Densidade (PEAD) e as mantas de borracha sintética EPDM (Etileno‑Propileno‑Dieno‑Monômero), amplamente utilizadas em obras internacionais de alta exigência, como túneis, estações metroviárias, subsolos SS1/SS2 e contenções profundas.
Essas membranas desempenham papel central na estanqueidade, na proteção das armaduras e na durabilidade do concreto, reduzindo manifestações patológicas associadas à percolação de água sob pressão, cloretos, sulfatos e ciclos de molhagem‑secagem — fatores predominantes na deterioração de estruturas enterradas.
2. Propriedades físico‑químicas das mantas PEAD e EPDM
2.1 Mantas PEAD
As mantas de PEAD são polímeros termoplásticos com estrutura semicristalina, apresentando:
- alta resistência química a sulfatos, cloretos e ácidos orgânicos;
- elevada resistência à perfuração (> 150 N em médias de mercado);
- alongamento limitado (~700%), garantindo estabilidade dimensional;
- soldagem por termofusão, proporcionando continuidade monolítica;
- mínima difusividade de água e gases.
São amplamente utilizadas em barreiras ambientais, lajes de subpressão e sistemas tipo “tub liner”.
2.2 Mantas EPDM
O EPDM é um elastômero com alto teor de insaturação saturada, que confere:
- alongamento superior (até 300–600%);
- resistência excepcional a intempéries, ozônio e ultravioleta;
- capacidade de acomodar movimentações estruturais;
- durabilidade superior a 40–50 anos em condições enterradas;
- flexibilidade mesmo em baixas temperaturas.
Por serem elastoméricas, são muito eficazes em obras com deformações diferenciais, recalques ou grande movimentação higrotérmica.
3. Interação com sistemas estruturais em subsolos estanques
Subsolos em contato direto com o solo, especialmente aqueles com níveis d’água elevados em sondagens (como SPT‑01 a SPT‑05 acima relatados), geram condições críticas:
- subpressão atuante sobre lajes (SS2);
- infiltração por juntas de concretagem e pontos de descontinuidade;
- riscos elevados de fissuração estrutural por movimentações higroscópicas;
- pressão hidrostática contínua, favorecendo percolação.
A aplicação de mantas pré‑aplicadas aderidas — conceito semelhante às membranas aplicadas sob radier em sistemas White Tank — evita caminhos de infiltração e promove estanqueidade integral.
4. Benefícios das mantas PEAD e EPDM para a Vida Útil de Projeto da estrutura
4.1 Barreiras de difusão contra agentes agressivos
Ambos os materiais apresentam baixa permeabilidade e atuam como barreira à difusão de:
- íons cloreto (Cl⁻);
- sulfatos (SO₄²⁻);
- dióxido de carbono (CO₂) → mitigando carbonatação;
- águas ácidas ou contaminadas.
Isso reduz significativamente mecanismos de deterioração como:
- corrosão das armaduras;
- expansão por sulfatos;
- delaminação do cobrimento;
- perda de módulo do concreto.
4.2 Redução de ciclos de molhagem–secagem
Ciclos repetitivos aceleram:
- expansão dos poros;
- lixiviação;
- fadiga do concreto;
- microfissuração progressiva.
A manta impede contato direto solo‑concreto, estabilizando o microclima higroscópico.
4.3 Estanqueidade estrutural sob subpressão
Na prática, em subsolos de subpressão, a manta:
- reduz percolação ascendente;
- limita a pressão hidrostática sobre fissuras;
- forma camada contínua impermeável, mesmo em áreas de juntas.
4.4 Mitigação de patologias construtivas
Segundo literatura de patologia das construções (Helene, 2009; Mehta & Monteiro, 2014), cerca de 80% das manifestações em subsolos estão relacionadas à umidade.
O uso de mantas:
- elimina risco de infiltrações por juntas;
- evita destacamentos de revestimentos internos;
- reduz custo de reparo e manutenção;
- aumenta a confiabilidade dos sistemas de impermeabilização.
4.5 Aumento comprovado da VUP
A norma ABNT NBR 15575 recomenda durabilidade mínima de 40 a 75 anos, dependendo da classe de exposição.
Estudos internacionais mostram que:
- mantas PEAD podem garantir VUP > 50 anos (Koerner, 2012),
- mantas EPDM atingem VUP > 60 anos (ASTM D4637; Klyosov, 2007).
Quando associadas a concretos impermeáveis com redundância de juntas (como sistema White Tank, que você domina), a VUP ultrapassa 100 anos, conforme diretrizes da FIB Model Code.
5. Comparação entre PEAD e EPDM para subsolos estanques
PEAD – quando usar:
- subsolos de alta subpressão;
- áreas extensas e retificadas;
- necessidade de soldagem termofundida;
- locais com risco químico elevado;
- integração com geomembranas ambientais.
EPDM – quando usar:
- estruturas com movimentação;
- recalques diferenciais esperados;
- necessidade de flexibilidade;
- áreas com grande variação térmica.
Na prática, em subsolos SS1/SS2, muitos projetistas usam PEAD sob radier e EPDM em paredes ou pontos de movimentação, criando um sistema híbrido de alta durabilidade.
6. Integração com sistemas White Tank e membranas pré‑aplicadas aderidas
Para especialistas, que trabalham com:
- lajes de subpressão,
- redundância de juntas,
- subsistência total de estanqueidade,
- subsolos com drenagem limitada,
as mantas PEAD e EPDM agem como segunda camada de proteção, eliminando caminhos potenciais de infiltração e estabilizando o comportamento da estrutura a longo prazo.
Essa integração reduz significativamente:
- reparos futuros,
- custos de operação,
- riscos de patologias internas.
7. Conclusão
As mantas PEAD e EPDM representam soluções de excelência para subsolos estanques, elevando de forma significativa a Vida Útil de Projeto da estrutura. Sua aplicação em conjunto com sistemas White Tank, concretos de baixa permeabilidade e tratamento de juntas proporciona uma barreira contínua contra água e agentes agressivos, reduzindo patologias típicas e aumentando a durabilidade real da edificação.
Para engenheiros especialistas em subpressão e estanqueidade, essas tecnologias oferecem desempenho superior e previsibilidade técnica essencial em perícias, laudos e projetos executivos.
8. Referências científicas
- ASTM D5321. Standard Test Method for Determining the Shear Strength of Soil-Geosynthetic and Geosynthetic-Geosynthetic Interfaces by Direct Shear.
- ASTM D4637. Standard Specification for EPDM Sheet Used in Single-Ply Roof Membrane.
- ABNT. NBR 15575. Edificações Habitacionais — Desempenho. 2021.
- FIB (Fédération Internationale du Béton). Model Code for Service Life Design. 2010.
- Helene, Paulo. Manual de Reparo, Reforço e Proteção de Estruturas de Concreto. PINI, 2009.
- Koerner, R. M. Designing With Geosynthetics. 6th ed., Xlibris, 2012.
- Klyosov, A. A. Wood–Plastic Composites. Wiley, 2007.
- Mehta, P.K.; Monteiro, P. J. M. Concrete: Microstructure, Properties, and Materials. 4th ed., McGraw‑Hill, 2014.
- Yu, X., et al. Long-term performance of EPDM membranes in buried applications. Construction & Building Materials, 2016.
- Koerner, G. R.; Soong, T.-Y. Durability and Lifetime of HDPE Geomembranes. Geosynthetics International, 2000.

Manta EPDM Amphibia da Viapol

Manta PEAD Preprufe da GCP

Manta EPDM Montam Plan 330 da MC Bauchemie



